Nascer é um crime inafiançável

Quarta-feira, Março 04, 2009

sou da geração que foi poupada da dor de viver
para sermos torturados por crimes que não cometemos

Caminho de Atlas

O tempo vai passando e eu vou ficando...
são tantas coisas a fazer que nao sei por onde começar.
e quando começo não consigo terminar pois o tempo enferrujou as engrenagens
sinto saudade de muitas pessoas importantes para mim
mesmo que não saibam, penso nelas todos os dias
mas não tenho coragem de procurá las
não tenho coragem de explicar porque eu sou assim...
pois nem mesmo eu consigo me convencer
ou me dar uma desculpa, pois cansei das minhas

o tempo me ensinou a não gostar das criaturas das sombras
mas ainda na sombra me escondo
com medo de a luz mostrar que me tornei uma destas criaturas
e aumentar meu já saturado fardo
um fardo de coisas bobas das quais não consigo me livrar
me agarro nelas
coisas que mantenho perto para tentar entender porque me tornei isso
e elas se agarram em mim
e elas sempre me dizem que nao saberei quem sou
porque eu nao sou assim
me dizem que eu sou o garoto do sim,
mesmo tendo escolhido o caminho do não
e o peso do fardo e do tempo me apressam
me esgotam
e fico me perguntando se viver é isso
uma extensão do cinismo
tentar esquecer de quem sou todos os dias
e me esqueço
ou se todos os dias esqueço de viver quem sou

Segunda-feira, Maio 05, 2008

Carta a meus bemfeitores

Mesmo que mantenham meus olhos abertos e o escasso sangue correndo, ainda não vejo a vida. Apenas os famintos vermes a se lambusar em minha carne putrefata.
mesmo que encham meus pulmões com vosso imundo fluído, não tenho o fôlego dos segos que aqui habitam.
Posso ainda ver o mundo pelo beiral da janela, o mesmo beiral onde os abutres derramam seus escrementos esperando alvoroçados a hora do jantar.
A vós que me mantém a assistir minha derrocada pesso apenas que devolvam as muletas que outrora me mantinham a claudicar por teu inferno, ou que ao menos esta noite, sirvam o jantar.

Domingo, Abril 13, 2008

Lá onde não estou,
ainda é o meu lugar.

Cumpleanos

Esperei que hoje fosse diferente do ontem
E o hoje, como ontem passou
e mais uma vez hoje não há
ontem talvez fizesse diferença
se tudo fosse diferente
mas não há hoje o que ontem mudar
Esperar que ontem seja melhor que hoje
é irracionalmente lucido
assim como eu a esperar que o mundo hoje
não se esqueça de girar
de girar em torno de vosso umbigo
e que se lembre que aqui onde não enchergas
existem aqueles que ontem fizeram de ti o que és hoje
e hoje o ontem não há de lembrar.

Chronografia

Por vezes me julgo covarde, e isso o tempo não há de mudar
Sei também onde aflora essa ferida
Queira ou não, é de vossa inabilidade nata e parco talento
pois vossas senhorias reconhecem o potencial alheio à sua existência
Contudo, se poe a criticar o que não foi feito, e por essa atitude,
E pelo poder falsamente atribuído a ti, por criaturas igualmente medíocres
condenas àqueles que reconheces poder ofuscar o brilho que não possui

Talvez um dia, o dia que deixares de usar neurônios como separador de orelhas,
O mundo de vosso filho possa desabrochar
aquele mundo que prometeu a ele ainda em berço
Mas não te iludas com teu finito conceito de que este terá os mesmos valores de ti
Não esperes que ele queira assumir seu lugar,
e se o fizer,
teria então sido um bom professor

Seu mundo ainda há de ruir sobre fracos como ti
... e eu.... eu talvez esteja a assistir e aplaudir em menos de 3 anos
mas provavelmente estarei apenas em outro tempo,
disperdiçando o que a natureza criou,
a esperar pelo fim, que nunca me foi prometido
mas todos sabemos que virá.
e isso o tempo não há de mudar

Segunda-feira, Março 17, 2008

Me perdi em algum lugar entre o dia de minha concepção e o dia em que me colocaste na conta mais turva de tuas lembranças

Hefestos

Aqueles que cruzaram meu caminho,
sabem quão lento é meu caminhar.
Neste mundo mesquinho,
onde nos ensinam a não olhar para trás,
serei sempre um retardatário,
e não um momento do passado.

Essa é minha maldição.
Ser visto apenas no final de cada volta da vida,
a me contentar em engolir tua poeira
a lamentar por apenas caminhar
a desejar as forças que outrora me fizeram correr

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

Quanto aos braços de vosso Criador

Se me pede ajuda,
Sabes que estenderei meu braço,
me faz esquecer da distancia que vivo de outros braços
Sabes tambem que nunca verei braços estendidos a mim
Aquele que vive recluso e ainda assim tão altivo,
não deve ter problemas deste mundo.
Pois muito se enganam,
é este mundo meu problema
é nunca ter braços para me apoiar
é mal ter pernas para andar
por isso, correrei em teu auxílio,
Condenado a viver à margem,
da coxia do grande teatro de vosso Pai.
esquecido entre as sombras e entre as horas
me julgas,
por não agir de acordo com vossos padrões
mas não tive a quem copiar.
Tive de ensinar a mim mesmo como ser eu
e quando o vosso Criador lhe virar às costas,
virão até mim,
e por viver excluso, lhe ajudarei
para que não sintas a dor que sinto
porém jamais atribua meus feitos a ELE
pois minha fé morreu com minhas esperanças
morreu porque sempre esteve distante de vossos olhos
e jamais foi cultivada
peço apenas que lembre que ELE jamais fará nada por ti
então faças vós
como fiz por voce

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

Mais difícil que viver entre dois mundos, é odiar ambos os lados.
Um, por ser aquilo que sente asco, outro porque aprendeu a odiar
Condenado pelos pecados que jamais cometi.
Pecando em pensamento naquilo com a alma jamais viverei

tentei, ah tu saber que tentei seguir meu caminho
mas o Porco Criador, me tinha outros planos
me fez sereno e com a alma quemando em desejos
desejo de consumir, desejo acima de tudo de destruir

e os falsos profetas ainda disem que serei condenaado pela minha auto destuição
condenação alguma seria mais crual do que aquilo que vivo hoje
uma mente livre aprisionada na podre carne
uma alma em chamas, debaixo de uma fachada morna
Sempre o belo, sempre o perfeitinho
jamais a perdição
embora há muito esteja perdido
sigo esperando, pois sei que como minha esperança, tudo há de acabar um dia
já me preocupei com formas, com fases, e com metrica
hoje me preocupo mais em como odiarte menos
em como aceitar-me torto
em como ser aquilo que o Porco me criou
Acredito sim em seu deus, pois hão há como tanta maldade ser obra do acaso
olhe ao seu lado
me fala da sua cruz
PORCO, tu és pior, a sua cruz nada vale diante daqueles que nem sequer pernas tem para levantar-se
teu deus ipocrita há de responder por isso. há de pagar por seus pecados
não dispensarei um só segundo a satisfazer a vaidade do Imundo que ganha templos enquanto meus irmãos morrem pelos Vossos pecados
hão irei abaixar a cabeça áquele que me aprisionou neste lixo
ainda queimo
ainda me lembro
e jamais perdoarei.

Sábado, Novembro 10, 2007

How to be happy, if i lost the ability to feel pleasure?